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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Definitivo

Definitivo como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...
Martha Medeiros


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Para se sentir amado

Sente-se amado aquele que se sente aceito, 
que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. 
Sente-se amado aquele que tem sua solidão
respeitada, aquele que sabe que não existe
assunto proibido, que tudo pode ser dito e
compreendido. Sente-se amado quem se
sente seguro para ser exatamente como é,
sem inventar um personagem para a relação,
pois personagem nenhum se sustenta muito
tempo. Sente-se amado quem não ofega,
mas suspira quem não levanta a voz,
mas fala quem não concorda,
mas escuta.
Martha Medeiros


quarta-feira, 24 de abril de 2019

Dói

Que saudade de você
Trancar o dedo numa porta dói. 
Saudade de um irmão que mora longe. 
Saudade de uma cachoeira da infância. 
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. 
Saudade do pai que já morreu.
Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu.
 Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, quando se tinha 
mais audácia e menos cabelos brancos. 
Doem essas saudades todas. 
Mas a saudade mais dolorida é
 a saudade de quem se ama. 
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida. 
Você podia ficar na sala e ele no quarto,
sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, 
mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele 
o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. 
Mas quando o amor de um acaba, 
ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. 
Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. 
Não saber mais se ela continua clareando o cabelo.
 Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. 
Não saber se ela foi na consulta com o 
dermatologista como prometeu. 
Não saber se ele tem comido frango de padaria,
se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele 
aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a 
estacionar entre dois carros, se ele continua fumando 
Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, 
se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, 
se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias 
que ficaram mais compridos, não saber como encontrar 
tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber 
como frear as lágrimas diante de uma música, não saber 
como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. 
Não querer saber se ele está com outra, 
se ela está feliz, se ele está mais magro, 
se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer 
saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Martha Medeiros

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Dentro de um abraço

Dentro de um abraço voz 
nenhuma se faz necessária, 
está tudo dito. 
Martha Medeiros

terça-feira, 4 de abril de 2017

Abrir um sorriso

Se me perguntarem qual o sentimento 
que considero mais bonito ou mais 
importante, vou abrir um sorriso e dizer: 
O correspondido!
Martha Medeiros